Só de restos se consagra o tempo, força
cerrada na inutilidade destas
cores campestres, quando o sol em Novembro
escurece os sobreiros.
cerrada na inutilidade destas
cores campestres, quando o sol em Novembro
escurece os sobreiros.
Só de restos me
espera a cerimônia de viver,
trânsito e transigência do silêncio,
ocultado no meu corpo.
espera a cerimônia de viver,
trânsito e transigência do silêncio,
ocultado no meu corpo.
Só de restos o trespassa o tempo,
máscara e manto.
Morro muito antes da morte, sem saber se os anjos
foram gaivotas hirtas no piedoso
musgos dos rios ou se hão-de ser maçãs
ou ciência, loendros ou lembrança,
inocentes, lúcidos sonos ou oblata
de seda, a Deus cedida,em pagamento
da paz.
foram gaivotas hirtas no piedoso
musgos dos rios ou se hão-de ser maçãs
ou ciência, loendros ou lembrança,
inocentes, lúcidos sonos ou oblata
de seda, a Deus cedida,em pagamento
da paz.
e apodrece, se imagina o princípio,
a majestade das coisas, o silêncio
irrevelado que o corpo desconhece.
Orlando Neves
De restos se consagra o tempo porque os acontecimentos que surgem como contingências do passado e do futuro, mesmo não sendo possível apreendê-los, são presentes "ainda que se narrem como verdadeiras coisas passadas". Na alma é que está gravada a lembrança da eternidade, revelações que não residem no corpo, o que deixou de ser em si, continua a existir na lembrança que guardamos disso.