quinta-feira, 23 de junho de 2011

Epifania XXXVI

por Marina Jenifer Sant'Borges

Como não pensar em você? Como não lembrar do seu sorriso, do seu olhar, da sua voz ao pé do meu ouvido? Me desespero em imaginar outra vagando por entre as curvas do seu corpo, tocá-la com essas mãos que apertavam minha cintura enquanto nos beijávamos. Ainda ti quero como sempre quis, talvez até mais por você estar, agora, tão inalcansável. Tantas palavras desgastadas, jogadas ao vento, lembranças descartadas pelo  orgulho ferido que nos preenche o espírito.

Intempérie VII


Atravesso o presente de olhos vendados, mal podendo pressentir aquilo que estou vivendo... Só mais tarde, quando a venda é retirada, percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou...
Milan Kundera



Me calei quando não deveria, permiti que você fosse embora porque hoje estou me permitindo viver, estou condicionada a entregar-me ao instante. As minhas noites são ofertadas ao acaso, e o Nada disfarçado de sorrisos preenche minha dor. Eramos espectadores de nossas vidas, os outros sempre conduziram nossas ações, mas agora a causalidade é mais forte do que qualquer opinião, quero poder olhar pra trás e ver sentido em fugir da  rotina, preencher de experiências meus dias, abandonar a metafisica. Enterro a moralidade no fundo de minha conciência guardada por cães de Dionísio, me entrego aos prazeres terrenos e a insânia herdada de seu nascimento, me libertarei dos grilhões pelas entraves da idade, enquanto isso festejo em memória do filho de Semele.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Epifania XXXV

por Marina Jenifer Sant'Borges

Adolescência ...
Confusão de pensamentos
Incontroláveis sentimentos
Expontânea concupiscência

No colégio
Em meio as faces abstratas
pelo corredor jogadas
O acaso concedeu-me um privilégio

Conheci você
Mistériosa autarquia
Doce empatia
Peculiar jeito de ser

Em nossas conversas
Ternas confissões
de dois escorpiões
Com vidas incertas

Por horas
Ao telefone sem notar
o escuro do céu clarear
Compartilhando histórias

Nos perdemos
por um estranho caminho
Mas esse maroto destino
que desconhecemos

O troxe
novamente para minha vida
O único que me compreendia
sem saber da falta que me fazia.



Dedicado à  Lennon Corbalan,
um velho e estimado amigo ...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Epifania XXXIV

por Marina Jenifer Sant'Borges

Conservo você na minha lembrança como aquele garoto que eu conheci pelo acaso, esqueço as palavras daquela noite e ouso imaginar como seria Se não tivessemos preenchido de erros nossa história, por tantas vezes me entreguei ao instante como se este não fosse eterno, como se não estivesse preso ao tempo. Conservei aquele instante quando ti olhei pela primeira vez, quando o beijei e quando me uni á você esperando a eternidade pelo instante que você tanto odeia, tal qual eu tanto venero.   

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Epifania XXXIII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Naquele instante onde minha voz se alterou o máximo que pôde, os outros não estavam por perto. Suas palavras pesaram na minha alma, penetraram na minha pele e rasgaram por dentro todas as esperanças que eu ainda tinha. O que mais machuca é esperar que você diga o que, talvez, não sinta mais, ao destruir uma lembrança que somente os outros ainda tinham, me concedeu a conclusão de que você já nos enterrou a muito tempo...

sábado, 18 de junho de 2011

Intempérie VI

"As metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora."
Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser

Dedicado ao acaso ...           


          
 Enquanto eu lia, sentada naquele trêm, tentando fugir das leis que redigiam minha vida, você apareceu, talvez tenha se identificado pelo título do livro, ou tomou como um desafio tentar penetrar na barreira que eu criei para me defender das atrocidades que o gênero humano pode cometer, você que através de uma "Filosofia em Comum" iniciou uma conversa que aos olhos de muitos seria dispersa da realidade do senso comum. Quebrou pouco a pouco minha timidez, que arredia entrecortava as palavras e temia encará-lo, foi quando me disse que tinha amor pela sabedoria, quanta foi nossa surpresa ao descobrir que nossas vidas estavam á muito ligadas, e que as oportunidades nos dirigiram para nos conhecermos em um trêm, onde muitas faces se tornam abstratas, o todo se torna um, empacotados para a viagem. Os paralelos que fazíamos sobre uma insustentável leveza de um ser nos transformaram em Tereza e Tomaz, e tomados por uma atração psicológica iniciamos uma relação, não se fundiu a carne mas o intelecto fez-se um. Nossas possibilidades se reduzem á cada dia que passa e sempre é um espanto encontrá-lo onde menos espero, o acaso brinca, maroto faz o que bem quer de nossas vidas, foi por conhecer você que me rebelei ao futuro que escreveram por mim, pois o sábio procura o acaso, se entrega ao instante mesmo tomado pela razão. Hoje sou mulher do acaso, eu quero, abstraio e faço, vivo como Tales disperso em Mileto com guirlandas de flores sobre grilhões.

Fevereiro de 2010


Intempérie V

O mais pesado dos fardos nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificante.
 Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser





Permita-se, beije-me se assim for de sua vontade. Me acalme com suas mãos, interrompa minhas palavras mal intencionadas com sua boca que tanto olho, que desejo tocar. Se a incongruência de meus atos fosse medida pela ilação de minha pouca idade, agora estaria com teu gosto nos lábios e teu cheiro em minhas roupas, saberia qual é o peso do teu corpo sobre o meu, exsudaria meus conflitos molhados pelo seu suor. Não desvie seu olhar, deixe-me ser a mulher daquela entrada, nem todos os fardos resistem ao tempo, eu sinto prazer em me reinventar. Sua "virtude" já se tornou, para mim, um infortúnio.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Epifania XXXII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Todas as noites coloco a aliança que me deste no dedo de Afrodite, como se durante o sono voltasse a ser sua, pois é durante a noite que sinto sua falta. São horas em que o vazio se põe e a maquiagem do meu dia se acaba.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"E se Deus não dá .. ??"

por Marina Jenifer Sant'Borges

Utilitarismo, Deus é aquele que concebe os desejos, livra-nos dos males, acalma nosso espírito, é visto como um gênio da lampâda para muitos homens que em todos os domingos dedicam um pouco de seu tempo as preces, agradecendo a tudo que este proporcionou.

Pobres almas ou sanguessugas, hipócritas, como devemos chamar os fiéis?

Pobres almas por estarem em meio ao caos do mundo, por serem abandonados a própria sorte como acreditava Voltaire. Sanguessugas pois só pedem, desde proteção à dinheiro, sugam da faculdade da fé o máximo que podem, ou hipócritas por que acreditam quando lhes cabe, se apegam a algo maior por serem pequenos, impotentes. É fácil culpar o divino por seus erros, um médico ateu por exemplo não tem a quem entregar a morte do paciente a não ser as causas materiais agentes ou a sua própria incapacidade profissional. Muito se escuta que quando chega a hora da morte é por que Deus quis, porque Deus nas suas linhas tortas escreveu a hora de cada homem. O que diferencia a mitologia grega do cristianismo?

Que razão é essa que nos diferencia dos animais? Que tipo de razão é essa que tira a autonomia, assola na menoridade, retira o prazer de errar por si só? Como abster-se dos conceitos incutidos em nossa mentalidade, como fugir dessa lavagem cerebral?

O erro, o Mal, o Bem são produtos de nossas ações, para alguns, Deus nos deu a liberdade da escolha, mas que escolha? Podar nossas vontades com proposta de castigo eterno? Belo conceito de escolha!

Depender de Deus é como depender do Nada, se não agirmos não alcançaremos, atribuir as causas dos efeitos a um Ser que está mais para não-Ser espanta, claro que nem tudo depende de nossa vontade, as ações de alguns homens causam reações nas de outros, mas nós somos a medida.

Ajoelhar-se, rezar, pedir e esperar cair do céu ou ser agraciado pela causalidade do universo que é entendida como divina não demonstra muito esclarecimento. O gênero humano está condicionado ao Otimismo Cosmológico, espera pela graça de Deus, mas "e se Deus não dá? Como é que vai ficar?"

Tomaremos as rédeas ou substituiremos o Deus cristão por outro que bem nos provier? O da ciência, por exemplo.

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções"

por Cassio Renato de Lima

É incrível a capacidade de algumas pessoas que pertencem a burguesia de forjar um sentimento de luta contra a desigualdade social em nosso país, ter que presenciar sujeitos como Eike Batista se titulando como um guerreiro do Brasil e ao mesmo tempo alimentando de forma covarde os sonhos da nossa população com frases ridículas como"quem quiser ganhar dinheiro no Brasil, ganha!" Gostaria de saber se ele teria tamanha canalhice em falar isso para um brasileiro que nasce em uma favela paulistana ou no sertão nordestino, que através da mídia golpista e da "educação" controlada por essa mesma burguesia, acaba se tornando uma população alienada, sem saber que o seu câncer está justamente na idealização de futuro melhor á custo da sua força de trabalho explorada.

Quem sabe um desses sonhadores não consegue ser um homem vencedor no mundo dos negócios e assim se tornar um novo Roberto Justus? Afinal o país está "crescendo", olha o pré sal aí, o Prouni também, que dá a possibilidade de um entre milhões de pessoas pobres no país a cursar o nosso eficaz formador de mão de obra barata, que chamam por ai de Ensino Superior, todas essas medidas que ganham ênfase nas propagandas governistas que são transmitidas através do horário "nobre" da nossa mídia "imparcial", não passam de estratégias de controle da população.

A burguesia está agindo da forma mais suja possível, colocando na cabeça de cada cidadão trabalhador, que eventos como a copa 2014 e olimpíadas 2016 são indicadores do "crescimento" do nosso Brasil rumo ao tão sonhado primeiro mundo, mas isso é totalmente falso, basta qualquer brasileiro que reside em São Paulo ou em qualquer outra cidade grande do país, ir até o centro ou súburbio das nossas cidades e verá a quantidade de crianças nas ruas passando fome, para presenciar um fato do gênero não precisa de pesquisa do Datafolha, basta apenas que você vá explorando as ruas da sua cidade e as contradições do capitalismo vão gritar no pé do seu ouvido.

Você cidadão brasileiro já se perguntou se sua vida melhorou em uma proporção parecida com a economia nacional? Obviamente não melhorou, pois todo lucro que o país tem, vai para o bolso de caras como o Palocci, que aumentou sua fortuna em 20 vezes nos últimos 4 anos.

Não podemos nos deixar levar por políticos que se dizem da esquerda e militantes do povo, o novo código florestal partiu de um deles!

Estamos em uma situação complicada, pois a mesma burguesia que hoje nos controla é fantoche do imperialismo norte americano, ou seja, o problema é bem maior do que apenas derrotar a nossa burguesia.

Não podemos participar do jogo deles, pois como foi demonstrado acima, as forças burguesas-imperialistas nos controla de inúmeras maneiras e as eleições é apenas uma falsa demonstração de "Democracia", onde os vencedores serão ótimos para os empresários, banqueiros e etc e o povo sempre saíra derrotado, pois nenhum governante escolhido por meio desse sistema terá uma conduta de governo que atenda as necessidades da nossa população.

Não deixe que ninguém pense por você, tome as rédias de sua vida!!!!

Vamos pegar todas as experiências ruins vividas com o capitalismo (não consigo perceber nada de bom que o capitalismo trás para o nosso Brasil) e canalizar essa experiência para uma revolta contra a classe exploradora!!!

Um sujeito que tinha uma visão muito clara dessas relações de classe, disse algo que é bem real nos dias de hoje.

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções".

Não acredite nas promessas de um país melhor, se essas promessas chegar até você, através da burguesia.

Intempérie IV


Falo em tese, tanto do homem como da mulher, para afirmar que nossa espécie só poderá ser feliz quando realizarmos plenamente a finalidade do amor e cada um de nós encontrar o seu verdadeiro amado, retornando, assim, à sua primeira natureza.
Platão, O Banquete. Aristófanes (193c).

O homem tem na sua percepção temporal que o amor é eterno, pois sente que será assim, o amor completa mas não é o suficiente. O ser humano é volúvel, se reinventa sem perceber, concebe variados amores, amar um não impede de ter atração por outro, a procura não se finda pois somos carne, vontade e gozo. Diotima sabe quais males o amor herdou, sabe da angustia que os homens tem de não encontrá-lo, sabe que o amor é uma falta inerente ao ser, uma peça da essência que fora nos arrancada. O amor é sempre presente nos homens pois até mesmo sem sua presença, tem-se a presença da ausência, por isso amo a própria capacidade de amar, assim sofro menos por provar de amores efêmeros enquanto não encontro o eterno, sigo a Lua pois através dela nos tornamos novamente um só, um andrógino, separados pela maldade de Zeus.

Epifania XXXI

por Marina Jenifer Sant'Borges

Quero além dessa tua casca que tenho acesso, quero fundir-me aos seus pensamentos e neles compreender as angustias do teu ser ... Desejo o seu espírito porque ele me provoca, sua presença me desconcerta, pela atração psicológica o seu corpo tornou-se desejável pois é através dele que irei tocar seu íntimo. Como não posso tocá-lo me contento em olhar e assim imaginar como seria passar a noite ao seu lado. Quando não está por perto e seu nome veem a citar fico vermelha, confusa, sem saber o que dizer, e mesmo sem a consumação de nossos desejos me sinto unida á você ...

Intempérie III


"Não é, evidentemente, a união física que faz com que um sinta um prazer tão grande com a presença do outro e a ela aspire com tanta força, mas é indubitavelmente uma coisa diferente o que a alma de ambos quer, uma coisa que ela não pode exprimir e que só palpita nela como obscura intuição do que é a solução do enigma da sua vida."
 JAEGER, 2001, p. 732.

Experiências a vida proporciona aos montes, belas mulheres e homens bem apanhados, mas estes são para passar o tempo, são descontos de uma rotina caótica, mas ao encontrar alguém que é um conjunto de idéias, que discursa mais do que toca me vejo em um dilema, a atração psicológica se põe a fisica, e a discussão não é de línguas e fluidos, são de palavras, de idéias. O amor pela personalidade dura mais tempo que o amor pelo corpo. Por isso, mesmo com diferenças gritantes desejo que me tome...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Intempérie II

"Quando Afrodite nasceu, os deuses reuniram-se num festim onde, entre vários outros se encontrava o Poros (Engenho), filho da sabedoria. Depois de jantarem, eis que apareceu a Penia (Pobreza) a mendigar os restos, como é usual em ocasiões de festa… E ali ficou, junto à porta. Entretanto Poros, já embriagado de néctar  foi para o jardim de Zeus, e tão pesado se sentia, que adormeceu. Então a Penia, que na sua natural indigência meditava ter um filho de Poros, deitou-se junto dele e assim concebeu Eros (Amor). Eis a razão por que o Amor nos surge como companheiro e servidor de Afrodite: concebido nas festas em honra do seu nascimento, é, por natureza, um apaixonado do Belo, pois que Afrodite é bela. Por outro lado, a condição de filho do Engenho e da pobreza ditou-lhe o seu destino.
Condenado a uma perpétua indigência, está longe do requinte e da beleza que a maior parte das pessoas nele imaginam… Rude, miserável, descalço e sem morada, estirado sempre por terra e sem nada que o cubra, é assim que dorme, ao relento, nos vãos das portas e dos caminhos: a natureza que herdou de sua mãe fez dele um inseparável companheiro da indigência. Do lado do pai, porém, o mesmo espírito ardiloso em procura do que é belo e bom, a mesma coragem, persistência e ousadia que fazem dele um caçador temível, sempre ocupado em tecer qualquer armadilha; sedento de saber e inventivo, passa a vida inteira a filosofar, este hábil feiticeiro, mago e também sofista"
Platão, O Banquete. Trad. Maria Schiappa de Azevedo

O meu amor é insuficiente, prezo o que não tenho e desprezo o que lutei para conseguir, banalizo minhas conquistas e idealizo minhas procuras, a indigência do meu espírito é presente no meu olhar e até mesmo a carência de seus toques não consome minhas faltas.

Intempérie I

“Não há vida em grupo que nos livre do peso de nós mesmos, que nos dispense de ter uma opinião; e não existe vida ‘interior’ que não seja como uma primeira experiência de nossas relações com o outro. Nesta situação ambígua na qual somos lançados porque temos um corpo e uma história pessoal e coletiva, não conseguimos encontrar repouso absoluto, precisamos lutar o tempo todo para reduzir nossas divergências, para explicar nossas palavras mal compreendidas, para manifestar nossos aspectos ocultos, para perceber o outro. A razão e o acordo dos espíritos não pertencem ao passado, estão, presumivelmente, diante de nós, e somos tão incapazes de atingi-los definitivamente quanto de renunciar a eles”
Merleau-Ponty. Conversas – 1948, p. 50

O peso do meu ser é insustentável, e a má compreensão da minha superfície transforma o abismo que sou no abismo que querem que eu seja...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Epifania XXX

por Marina Jenifer Sant'Borges

Pelas memórias de um Voltaire lembro de como tudo começou, das minhas mãos tentadoras a vontade de tocar-lhe a face e do meu olhar intimida-lo enquanto discursa sobre a origem de uma desigualdade com seu sotaque carregado que causa em mim a vontade de ti morder... Morder suas maças e beijar-lhe estes olhos tão baixos e dispersos da realidade. Da formalidade às noites em um bar desta imensa cidade, umas partidas enquanto repartia os meus sentidos, entorpecidos de cerveja e fumaça, ternos serenos às manhãs timidas, palavras cruzadas jogadas brutalmente ao entendimento, despedidas com desejo de retorno, trocaria todos esses momentos por um momento em sua cama.

Epifania XXIX

por Marina Jenifer Sant'Borges

Estas palavras que recebo através de uma tela fria me causam uma doce inquietação, quando já não espero mais nenhum sinal você me concede a esperança de vislumbrar através de um convite a oportunidade de encontra-lo longe das possibilidades de nossas rotinas e para assim encará-lo sem receio enquanto dividimos nosso intimo. A desmistificação de sua imagem é o ponto em que pretendo chegar e para além das aparências que a platéia nos clama exibir minhas verdadeiras intenções, hoje queria poder sentir sua boca com o gosto do maracujá que provara ainda a pouco.