domingo, 18 de dezembro de 2011

Epifanias XXXVIII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Sinto falta do seu beijo meio fechado, mas bem ritmado. De durmir ao seu lado, sem ter noção de tempo e espaço. O seu olhar fala sobre tudo sem você dizer nada, não se prende a ninguém mas conquista tudo o que quer. Convicto ao falar, malokeiro no andar. Tem mãos leves mas firmes ao me tocar. Com você meus medos adormecem enquanto risco com as unhas a sua pele. Querer você é um simétrico paradoxo, que revela um outro lado que há em mim.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Mar de que Futuro

Só de restos se consagra o tempo, força
cerrada na inutilidade destas
cores campestres, quando o sol em Novembro
escurece os sobreiros.

Só de restos me
espera a cerimônia de viver,
trânsito e transigência do silêncio,
ocultado no meu corpo.

Só de restos o trespassa o tempo, 
máscara e manto.                                                                                                   
Morro muito antes da morte, sem saber se os anjos
foram gaivotas hirtas no piedoso
musgos dos rios ou se hão-de ser maçãs
ou ciência, loendros ou lembrança,
inocentes, lúcidos sonos ou oblata
de seda, a Deus cedida,em pagamento
da paz.

Só do que chega ao fim, se corrompe
e apodrece, se imagina o princípio,
a majestade das coisas, o silêncio
irrevelado que o corpo desconhece. 


Orlando Neves


De restos se consagra o tempo porque os acontecimentos que surgem como contingências do passado e do futuro, mesmo não sendo possível apreendê-los, são presentes "ainda que se narrem como verdadeiras coisas passadas". Na alma é que está gravada a lembrança da eternidade, revelações que não residem no corpo, o que deixou de ser em si, continua a existir na lembrança que guardamos disso. 

"Questões III"

Se a preguiça é pecado,
o que Deus estará fazendo agora?
Em que se ocupa aquele que tudo pode?
Terá restado algo por fazer
depois que o mundo foi criado?


Se o desejo é fraqueza,
Deus nunca deseja?
Mas se é verdade que nos criou,
algo nele desejou.


Se a vaidade é um erro,
por que nos fez
À sua imagem e semelhança?
Ou terá sido o contrário?


Por que criar alguém
capaz de duvidar da criação?
Por que nós e ele não?

Alice Ruiz


Deus deseja ?? .. Até a perfeição é capaz de desejar aquilo que não tem ...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

"Só o tempo"



Só o tempo pode dizer,

fazer acontecer

Só o tempo pode nos mostrar

quem de nós poderá amar

Só o tempo nos faz entender

a saudade que nos faz morrer

Só o tempo constrói devagar

a beleza de um simples olhar

Só o tempo me faz esquecer

da dor que me trouxe você

Marina Jenifer Sant'Borges




O tempo tem três dimensões que se reduzem a uma, que é o presente, um instante em si mesmo indivisível, no qual o passado sobrevive na memória e em que o futuro pré existe. O que passa pelos nossos sentidos grava em nossa alma vestígios do que se viveu e só chega ao fim, só morre aquilo que é breve e que não deixa nenhum vestígio.



quarta-feira, 13 de julho de 2011

"Me dê o que eu mais quero"




Me dê o que eu mais quero, me dê o seu gosto que tanto venero,
que desejo, que espero
Todas as noites desse intenso inverno.



Me dê o que eu mais quero, o doce afago dos seus beijos,
o calor intenso que nos seus olhos eu vejo
Que aos seus toques do tempo esqueço.



Me dê o que eu mais quero, mais do que o seu corpo suado,
a volúpia pelo jeans apertado
O princípio de um estado que de vontade me bebe calado.



Me dê o que eu mais quero, um lugar onde eu possa ti encontrar,
por horas ficar
ao seu lado, sem notar o dia clarear.



Me dê o que eu mais quero, nessa dança envolvente,
em sua mente, misture as lembranças indecentes
Acabe com os meus anseios que só você entende.



Me dê o que eu mais quero, me dê tudo que eu possa desfrutar,
me entregue o seu mais sincero olhar
Me conceda o prazer de sua essência devorar.

   

Me dê o que eu mais quero, esqueça todos os fatos,
se entregue ao acaso
Siga os meus confusos passos.


 Só me entregue...


Marina Jenifer Sant'Borges



sábado, 2 de julho de 2011

Intempérie VIII

Aquilo que dizes ter morrido ainda sinto que esta vivo em algum lugar, escondido ou nesse ar que deixa nossas vidas invisíveis assim como ele. Ainda há rastros teus... como o cheiro de uma rosa numa única pétala seca. Não posso pedir que seda-me aquilo que não sei por onde está, mas sei que nos dias de primavera, por um segundo, o vento me trará.

Karen Alencar





O que eu pensei ser efêmero está preso ao tempo, os sentimentos que dispus a matar ainda estão dentro de mim, entorpecidos pelo perfume da rosa que me deste. Platão sabe que tudo quanto vive provém daquilo que morreu, entreguei meu espírito em tuas mãos naquele instante paradas enquanto a chuva caia e o mundo rodava, arrancaste a minha essência e no lugar cultivou a vontade. Por um momento a tua boca era o meu Olimpo...

Epifania XXXVII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Escuto as nossas musicas, penso no seu beijo, penso em cada parte do seu corpo pesando sobre o meu, penso em ti ligar mas o orgulho não permite, aonde quer que eu vá a mágoa me acompanha, me traz a presença da sua ausência. Mais um dia sem você ... sem a sua voz, o seu intrépido olhar, a doce manipulação com que rege minhas vontades. Hoje durmo sobre um travesseiro de lágrimas e desespero.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Epifania XXXVI

por Marina Jenifer Sant'Borges

Como não pensar em você? Como não lembrar do seu sorriso, do seu olhar, da sua voz ao pé do meu ouvido? Me desespero em imaginar outra vagando por entre as curvas do seu corpo, tocá-la com essas mãos que apertavam minha cintura enquanto nos beijávamos. Ainda ti quero como sempre quis, talvez até mais por você estar, agora, tão inalcansável. Tantas palavras desgastadas, jogadas ao vento, lembranças descartadas pelo  orgulho ferido que nos preenche o espírito.

Intempérie VII


Atravesso o presente de olhos vendados, mal podendo pressentir aquilo que estou vivendo... Só mais tarde, quando a venda é retirada, percebo o que foi vivido e compreendo o sentido do que se passou...
Milan Kundera



Me calei quando não deveria, permiti que você fosse embora porque hoje estou me permitindo viver, estou condicionada a entregar-me ao instante. As minhas noites são ofertadas ao acaso, e o Nada disfarçado de sorrisos preenche minha dor. Eramos espectadores de nossas vidas, os outros sempre conduziram nossas ações, mas agora a causalidade é mais forte do que qualquer opinião, quero poder olhar pra trás e ver sentido em fugir da  rotina, preencher de experiências meus dias, abandonar a metafisica. Enterro a moralidade no fundo de minha conciência guardada por cães de Dionísio, me entrego aos prazeres terrenos e a insânia herdada de seu nascimento, me libertarei dos grilhões pelas entraves da idade, enquanto isso festejo em memória do filho de Semele.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Epifania XXXV

por Marina Jenifer Sant'Borges

Adolescência ...
Confusão de pensamentos
Incontroláveis sentimentos
Expontânea concupiscência

No colégio
Em meio as faces abstratas
pelo corredor jogadas
O acaso concedeu-me um privilégio

Conheci você
Mistériosa autarquia
Doce empatia
Peculiar jeito de ser

Em nossas conversas
Ternas confissões
de dois escorpiões
Com vidas incertas

Por horas
Ao telefone sem notar
o escuro do céu clarear
Compartilhando histórias

Nos perdemos
por um estranho caminho
Mas esse maroto destino
que desconhecemos

O troxe
novamente para minha vida
O único que me compreendia
sem saber da falta que me fazia.



Dedicado à  Lennon Corbalan,
um velho e estimado amigo ...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Epifania XXXIV

por Marina Jenifer Sant'Borges

Conservo você na minha lembrança como aquele garoto que eu conheci pelo acaso, esqueço as palavras daquela noite e ouso imaginar como seria Se não tivessemos preenchido de erros nossa história, por tantas vezes me entreguei ao instante como se este não fosse eterno, como se não estivesse preso ao tempo. Conservei aquele instante quando ti olhei pela primeira vez, quando o beijei e quando me uni á você esperando a eternidade pelo instante que você tanto odeia, tal qual eu tanto venero.   

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Epifania XXXIII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Naquele instante onde minha voz se alterou o máximo que pôde, os outros não estavam por perto. Suas palavras pesaram na minha alma, penetraram na minha pele e rasgaram por dentro todas as esperanças que eu ainda tinha. O que mais machuca é esperar que você diga o que, talvez, não sinta mais, ao destruir uma lembrança que somente os outros ainda tinham, me concedeu a conclusão de que você já nos enterrou a muito tempo...

sábado, 18 de junho de 2011

Intempérie VI

"As metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora."
Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser

Dedicado ao acaso ...           


          
 Enquanto eu lia, sentada naquele trêm, tentando fugir das leis que redigiam minha vida, você apareceu, talvez tenha se identificado pelo título do livro, ou tomou como um desafio tentar penetrar na barreira que eu criei para me defender das atrocidades que o gênero humano pode cometer, você que através de uma "Filosofia em Comum" iniciou uma conversa que aos olhos de muitos seria dispersa da realidade do senso comum. Quebrou pouco a pouco minha timidez, que arredia entrecortava as palavras e temia encará-lo, foi quando me disse que tinha amor pela sabedoria, quanta foi nossa surpresa ao descobrir que nossas vidas estavam á muito ligadas, e que as oportunidades nos dirigiram para nos conhecermos em um trêm, onde muitas faces se tornam abstratas, o todo se torna um, empacotados para a viagem. Os paralelos que fazíamos sobre uma insustentável leveza de um ser nos transformaram em Tereza e Tomaz, e tomados por uma atração psicológica iniciamos uma relação, não se fundiu a carne mas o intelecto fez-se um. Nossas possibilidades se reduzem á cada dia que passa e sempre é um espanto encontrá-lo onde menos espero, o acaso brinca, maroto faz o que bem quer de nossas vidas, foi por conhecer você que me rebelei ao futuro que escreveram por mim, pois o sábio procura o acaso, se entrega ao instante mesmo tomado pela razão. Hoje sou mulher do acaso, eu quero, abstraio e faço, vivo como Tales disperso em Mileto com guirlandas de flores sobre grilhões.

Fevereiro de 2010


Intempérie V

O mais pesado dos fardos nos esmaga, nos faz dobrar sob ele, nos esmaga contra o chão. Na poesia amorosa de todos os séculos, porém, a mulher deseja receber o peso do corpo masculino. O fardo mais pesado é, portanto, ao mesmo tempo a imagem da mais intensa realização vital. Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está nossa vida, e mais ela é real e verdadeira.
Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificante.
 Milan Kundera, A Insustentável Leveza do Ser





Permita-se, beije-me se assim for de sua vontade. Me acalme com suas mãos, interrompa minhas palavras mal intencionadas com sua boca que tanto olho, que desejo tocar. Se a incongruência de meus atos fosse medida pela ilação de minha pouca idade, agora estaria com teu gosto nos lábios e teu cheiro em minhas roupas, saberia qual é o peso do teu corpo sobre o meu, exsudaria meus conflitos molhados pelo seu suor. Não desvie seu olhar, deixe-me ser a mulher daquela entrada, nem todos os fardos resistem ao tempo, eu sinto prazer em me reinventar. Sua "virtude" já se tornou, para mim, um infortúnio.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Epifania XXXII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Todas as noites coloco a aliança que me deste no dedo de Afrodite, como se durante o sono voltasse a ser sua, pois é durante a noite que sinto sua falta. São horas em que o vazio se põe e a maquiagem do meu dia se acaba.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"E se Deus não dá .. ??"

por Marina Jenifer Sant'Borges

Utilitarismo, Deus é aquele que concebe os desejos, livra-nos dos males, acalma nosso espírito, é visto como um gênio da lampâda para muitos homens que em todos os domingos dedicam um pouco de seu tempo as preces, agradecendo a tudo que este proporcionou.

Pobres almas ou sanguessugas, hipócritas, como devemos chamar os fiéis?

Pobres almas por estarem em meio ao caos do mundo, por serem abandonados a própria sorte como acreditava Voltaire. Sanguessugas pois só pedem, desde proteção à dinheiro, sugam da faculdade da fé o máximo que podem, ou hipócritas por que acreditam quando lhes cabe, se apegam a algo maior por serem pequenos, impotentes. É fácil culpar o divino por seus erros, um médico ateu por exemplo não tem a quem entregar a morte do paciente a não ser as causas materiais agentes ou a sua própria incapacidade profissional. Muito se escuta que quando chega a hora da morte é por que Deus quis, porque Deus nas suas linhas tortas escreveu a hora de cada homem. O que diferencia a mitologia grega do cristianismo?

Que razão é essa que nos diferencia dos animais? Que tipo de razão é essa que tira a autonomia, assola na menoridade, retira o prazer de errar por si só? Como abster-se dos conceitos incutidos em nossa mentalidade, como fugir dessa lavagem cerebral?

O erro, o Mal, o Bem são produtos de nossas ações, para alguns, Deus nos deu a liberdade da escolha, mas que escolha? Podar nossas vontades com proposta de castigo eterno? Belo conceito de escolha!

Depender de Deus é como depender do Nada, se não agirmos não alcançaremos, atribuir as causas dos efeitos a um Ser que está mais para não-Ser espanta, claro que nem tudo depende de nossa vontade, as ações de alguns homens causam reações nas de outros, mas nós somos a medida.

Ajoelhar-se, rezar, pedir e esperar cair do céu ou ser agraciado pela causalidade do universo que é entendida como divina não demonstra muito esclarecimento. O gênero humano está condicionado ao Otimismo Cosmológico, espera pela graça de Deus, mas "e se Deus não dá? Como é que vai ficar?"

Tomaremos as rédeas ou substituiremos o Deus cristão por outro que bem nos provier? O da ciência, por exemplo.

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções"

por Cassio Renato de Lima

É incrível a capacidade de algumas pessoas que pertencem a burguesia de forjar um sentimento de luta contra a desigualdade social em nosso país, ter que presenciar sujeitos como Eike Batista se titulando como um guerreiro do Brasil e ao mesmo tempo alimentando de forma covarde os sonhos da nossa população com frases ridículas como"quem quiser ganhar dinheiro no Brasil, ganha!" Gostaria de saber se ele teria tamanha canalhice em falar isso para um brasileiro que nasce em uma favela paulistana ou no sertão nordestino, que através da mídia golpista e da "educação" controlada por essa mesma burguesia, acaba se tornando uma população alienada, sem saber que o seu câncer está justamente na idealização de futuro melhor á custo da sua força de trabalho explorada.

Quem sabe um desses sonhadores não consegue ser um homem vencedor no mundo dos negócios e assim se tornar um novo Roberto Justus? Afinal o país está "crescendo", olha o pré sal aí, o Prouni também, que dá a possibilidade de um entre milhões de pessoas pobres no país a cursar o nosso eficaz formador de mão de obra barata, que chamam por ai de Ensino Superior, todas essas medidas que ganham ênfase nas propagandas governistas que são transmitidas através do horário "nobre" da nossa mídia "imparcial", não passam de estratégias de controle da população.

A burguesia está agindo da forma mais suja possível, colocando na cabeça de cada cidadão trabalhador, que eventos como a copa 2014 e olimpíadas 2016 são indicadores do "crescimento" do nosso Brasil rumo ao tão sonhado primeiro mundo, mas isso é totalmente falso, basta qualquer brasileiro que reside em São Paulo ou em qualquer outra cidade grande do país, ir até o centro ou súburbio das nossas cidades e verá a quantidade de crianças nas ruas passando fome, para presenciar um fato do gênero não precisa de pesquisa do Datafolha, basta apenas que você vá explorando as ruas da sua cidade e as contradições do capitalismo vão gritar no pé do seu ouvido.

Você cidadão brasileiro já se perguntou se sua vida melhorou em uma proporção parecida com a economia nacional? Obviamente não melhorou, pois todo lucro que o país tem, vai para o bolso de caras como o Palocci, que aumentou sua fortuna em 20 vezes nos últimos 4 anos.

Não podemos nos deixar levar por políticos que se dizem da esquerda e militantes do povo, o novo código florestal partiu de um deles!

Estamos em uma situação complicada, pois a mesma burguesia que hoje nos controla é fantoche do imperialismo norte americano, ou seja, o problema é bem maior do que apenas derrotar a nossa burguesia.

Não podemos participar do jogo deles, pois como foi demonstrado acima, as forças burguesas-imperialistas nos controla de inúmeras maneiras e as eleições é apenas uma falsa demonstração de "Democracia", onde os vencedores serão ótimos para os empresários, banqueiros e etc e o povo sempre saíra derrotado, pois nenhum governante escolhido por meio desse sistema terá uma conduta de governo que atenda as necessidades da nossa população.

Não deixe que ninguém pense por você, tome as rédias de sua vida!!!!

Vamos pegar todas as experiências ruins vividas com o capitalismo (não consigo perceber nada de bom que o capitalismo trás para o nosso Brasil) e canalizar essa experiência para uma revolta contra a classe exploradora!!!

Um sujeito que tinha uma visão muito clara dessas relações de classe, disse algo que é bem real nos dias de hoje.

"O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções".

Não acredite nas promessas de um país melhor, se essas promessas chegar até você, através da burguesia.

Intempérie IV


Falo em tese, tanto do homem como da mulher, para afirmar que nossa espécie só poderá ser feliz quando realizarmos plenamente a finalidade do amor e cada um de nós encontrar o seu verdadeiro amado, retornando, assim, à sua primeira natureza.
Platão, O Banquete. Aristófanes (193c).

O homem tem na sua percepção temporal que o amor é eterno, pois sente que será assim, o amor completa mas não é o suficiente. O ser humano é volúvel, se reinventa sem perceber, concebe variados amores, amar um não impede de ter atração por outro, a procura não se finda pois somos carne, vontade e gozo. Diotima sabe quais males o amor herdou, sabe da angustia que os homens tem de não encontrá-lo, sabe que o amor é uma falta inerente ao ser, uma peça da essência que fora nos arrancada. O amor é sempre presente nos homens pois até mesmo sem sua presença, tem-se a presença da ausência, por isso amo a própria capacidade de amar, assim sofro menos por provar de amores efêmeros enquanto não encontro o eterno, sigo a Lua pois através dela nos tornamos novamente um só, um andrógino, separados pela maldade de Zeus.

Epifania XXXI

por Marina Jenifer Sant'Borges

Quero além dessa tua casca que tenho acesso, quero fundir-me aos seus pensamentos e neles compreender as angustias do teu ser ... Desejo o seu espírito porque ele me provoca, sua presença me desconcerta, pela atração psicológica o seu corpo tornou-se desejável pois é através dele que irei tocar seu íntimo. Como não posso tocá-lo me contento em olhar e assim imaginar como seria passar a noite ao seu lado. Quando não está por perto e seu nome veem a citar fico vermelha, confusa, sem saber o que dizer, e mesmo sem a consumação de nossos desejos me sinto unida á você ...

Intempérie III


"Não é, evidentemente, a união física que faz com que um sinta um prazer tão grande com a presença do outro e a ela aspire com tanta força, mas é indubitavelmente uma coisa diferente o que a alma de ambos quer, uma coisa que ela não pode exprimir e que só palpita nela como obscura intuição do que é a solução do enigma da sua vida."
 JAEGER, 2001, p. 732.

Experiências a vida proporciona aos montes, belas mulheres e homens bem apanhados, mas estes são para passar o tempo, são descontos de uma rotina caótica, mas ao encontrar alguém que é um conjunto de idéias, que discursa mais do que toca me vejo em um dilema, a atração psicológica se põe a fisica, e a discussão não é de línguas e fluidos, são de palavras, de idéias. O amor pela personalidade dura mais tempo que o amor pelo corpo. Por isso, mesmo com diferenças gritantes desejo que me tome...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Intempérie II

"Quando Afrodite nasceu, os deuses reuniram-se num festim onde, entre vários outros se encontrava o Poros (Engenho), filho da sabedoria. Depois de jantarem, eis que apareceu a Penia (Pobreza) a mendigar os restos, como é usual em ocasiões de festa… E ali ficou, junto à porta. Entretanto Poros, já embriagado de néctar  foi para o jardim de Zeus, e tão pesado se sentia, que adormeceu. Então a Penia, que na sua natural indigência meditava ter um filho de Poros, deitou-se junto dele e assim concebeu Eros (Amor). Eis a razão por que o Amor nos surge como companheiro e servidor de Afrodite: concebido nas festas em honra do seu nascimento, é, por natureza, um apaixonado do Belo, pois que Afrodite é bela. Por outro lado, a condição de filho do Engenho e da pobreza ditou-lhe o seu destino.
Condenado a uma perpétua indigência, está longe do requinte e da beleza que a maior parte das pessoas nele imaginam… Rude, miserável, descalço e sem morada, estirado sempre por terra e sem nada que o cubra, é assim que dorme, ao relento, nos vãos das portas e dos caminhos: a natureza que herdou de sua mãe fez dele um inseparável companheiro da indigência. Do lado do pai, porém, o mesmo espírito ardiloso em procura do que é belo e bom, a mesma coragem, persistência e ousadia que fazem dele um caçador temível, sempre ocupado em tecer qualquer armadilha; sedento de saber e inventivo, passa a vida inteira a filosofar, este hábil feiticeiro, mago e também sofista"
Platão, O Banquete. Trad. Maria Schiappa de Azevedo

O meu amor é insuficiente, prezo o que não tenho e desprezo o que lutei para conseguir, banalizo minhas conquistas e idealizo minhas procuras, a indigência do meu espírito é presente no meu olhar e até mesmo a carência de seus toques não consome minhas faltas.

Intempérie I

“Não há vida em grupo que nos livre do peso de nós mesmos, que nos dispense de ter uma opinião; e não existe vida ‘interior’ que não seja como uma primeira experiência de nossas relações com o outro. Nesta situação ambígua na qual somos lançados porque temos um corpo e uma história pessoal e coletiva, não conseguimos encontrar repouso absoluto, precisamos lutar o tempo todo para reduzir nossas divergências, para explicar nossas palavras mal compreendidas, para manifestar nossos aspectos ocultos, para perceber o outro. A razão e o acordo dos espíritos não pertencem ao passado, estão, presumivelmente, diante de nós, e somos tão incapazes de atingi-los definitivamente quanto de renunciar a eles”
Merleau-Ponty. Conversas – 1948, p. 50

O peso do meu ser é insustentável, e a má compreensão da minha superfície transforma o abismo que sou no abismo que querem que eu seja...

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Epifania XXX

por Marina Jenifer Sant'Borges

Pelas memórias de um Voltaire lembro de como tudo começou, das minhas mãos tentadoras a vontade de tocar-lhe a face e do meu olhar intimida-lo enquanto discursa sobre a origem de uma desigualdade com seu sotaque carregado que causa em mim a vontade de ti morder... Morder suas maças e beijar-lhe estes olhos tão baixos e dispersos da realidade. Da formalidade às noites em um bar desta imensa cidade, umas partidas enquanto repartia os meus sentidos, entorpecidos de cerveja e fumaça, ternos serenos às manhãs timidas, palavras cruzadas jogadas brutalmente ao entendimento, despedidas com desejo de retorno, trocaria todos esses momentos por um momento em sua cama.

Epifania XXIX

por Marina Jenifer Sant'Borges

Estas palavras que recebo através de uma tela fria me causam uma doce inquietação, quando já não espero mais nenhum sinal você me concede a esperança de vislumbrar através de um convite a oportunidade de encontra-lo longe das possibilidades de nossas rotinas e para assim encará-lo sem receio enquanto dividimos nosso intimo. A desmistificação de sua imagem é o ponto em que pretendo chegar e para além das aparências que a platéia nos clama exibir minhas verdadeiras intenções, hoje queria poder sentir sua boca com o gosto do maracujá que provara ainda a pouco.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Colóquio de Epistemologia sobre Paul Ricoeur

Epifania XXVIII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Sua estatura intimida meu corpo que mesmo sensível anseia pelos seus toques, ti ver a meia luz ao som da nossa musica, me concede a conclusão de que hoje a saudade é desejo, a conversa é de olhares e o beijo uma doce dor, não sei por quais ruas andastes, quais caminhos seguistes quando nos separamos, mas nota-se que estamos diferentes, a malícia é cada vez mais presente.

Epifania XXVII

por Marina Jenifer Sant'Borges

A desproporção dos nossos corpos quando se unem se tornam a mais bela das quimeras, tuas mãos grandes tomam minha face e cobrem meus seios, enquanto puxa meus cabelos me beija docemente, e em uma confusão de movimentos me faz sua, e perante as manchas do prazer se entrega ao instante sem esperar pelo amanhã.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Epifania XXVI

por Marina Jenifer Sant'Borges


Esse seu olhar meio baixo, a linguagem do teu corpo, tuas mãos que sempre me aquecem nas noites de frio são o que há de mais puro e involuntário entre as almas, ti observo enquanto fala com vontade de interromper com um doce beijo tuas palavras, e mesmo quando fala dela não penso em deixá-lo. Temos nossos caminhos que são diferentes mas que sempre estiveram ligados, seu dia pertence a outra e suas noites pertencem a mim, só você e eu, como se não houvesse mais nada a fazer pela manhã. O medo de me reduzir a você é o que confundi meu intimo, pois ti quero com todas as forças mas prender-me a você seria como enterrar toda minha liberdade.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Epifania XXV

por Marina Jenifer Sant'Borges


Aquela noite não vou esquecer
entre as luzes, só eu e você
por aquele ambiente peculiar
onde muitos passam, sem se notar
milhares de faces jogadas ao acaso
desejos exsudados no mesmo espaço

Teu jeito fez altear
o mais ingênuo brilho do meu olhar
o dia se pôs sem perceber
enquanto nos entregávamos sem temer
essa atração é maior do que nós
e não há pudor quando estamos a sós

sábado, 14 de maio de 2011

Epifania XXIV

por Marina Jenifer Sant'Borges


Me desespero por me sentir presa aquele instante, aquele instante em que permiti tal troca de olhares, onde provei o gosto da sua boca através de um copo trocado em uma noite de sexta.

Epifania XXIII

por Marina Jenifer Sant'Borges


Enquanto encaro o nada ouço sua voz que antes era calmaria, hoje me incomoda, me irrita essa sua felicidade pois no momento não compartilho dela. As horas demoram pra passar e meu corpo, cansado de um dia igual a todos os outros, deseja somente um leito ao qual eu possa morrer através de minhas confissões. A cada dia enterro um pouco de mim nesse seu olhar e o pudor se encerra a cada beijo na face que me dá.

Epifania XXII

por Aldones e Diego Blanco


O leve brilho de tua pele me encanta
o brilho de teu sorriso me seduz
Pelas noites contigo sigo
não importa por onde tu me conduz
Faz desse coração estúpido a tua luz
não faz de mim qualquer um
escolhe um, dois, três, algum
Da sua pele morena
Te guardo pra sempre minha pequena

Epifania XXI

por Aldones


Quero te conhecer fora do tempo
muito além desta casca que
está sujeita a temporalidade
Quero tocar sua essência
quero me fundir com o seu todo
e ao tocar sua essência
reconhecer o instante em que tanto o
tempo e espaço deixam de existir
e o único sentido que sinto
é aquele que me faz sentir
eu e você fora do tempo
para poder entender o espaço e o tempo
tocando a eternidade e o infinito
existentes em você...
Te amo.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Epifania XX

Esse jogo já não é tão interessante quanto era, já não me atrai como antes atraia, já não me provoca uma doce confusão que me desalinha mas que me mantém sonhadora. Essas conversas me enlouquecem e o desespero de ouvir mais do que meias palavras se faz presente com intensidade. A idéia de tê-lo mesmo a contra gosto das convenções já não me seduz tanto assim.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Epifania XIX

por Marina Jenifer Sant'Borges

Como ter a certeza de que essas tantas palavras as quais você expõe no seu olhar são verdadeiras? Como aguardar o toque de suas mãos sem pensar se no dia de hoje fui a primeira? Como não esperar que todas essas digressões não tenham outras inspirações? Mas também como não querer ser sua Simone e confiar-lhe os meus mais ocultos desejos...

Epifania XVIII

por Marina Jenifer Sant'Borges


Eu sou a medida de todas as coisas dado que eu sou o senhor de mim, eu sou o meu próprio Deus que escolhe e que constrói a vida.
Eu sou aquele que pensa e o que é pensado, eu sou o eu duplicado, eu sou o ser e a ausência deste, as minha vivências são epifanias não divinas mas reais, e revelam um pouco mais do abismo que há em mim.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Epifania XVII

por Marina Jenifer Sant'Borges


Ás vezes me pergunto se é assim que eu queria estar...
Tenho medo de estar diluindo todo o meu pudor, quero me desprender das convenções mas não convenço a mim mesma de que seja esse o meu desejo. Entre nossas palavras vaga tanto desejo, e o nosso amor que muito nos marcou, hoje se põe em silêncio.

Epifania XVI

por Marina Jenifer Sant'Borges


O que será essa falta que sinto todas as vezes em que olho pra você?
Todos os dias procuro ser inspiração de uma nova digressão tua, que já não se fazem presentes em minhas tardes como antes faziam. Sempre esse desinteresse se manifesta entre as almas, mas quando nada se consuma aquele puro clichê se apaga e somente a curiosidade de ter se impõe.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Epifania XV

por Marina Jenifer Sant'Borges


Mulher do acaso
da presença que desfaço,
perco e acho
Do coração descompassado,
que bate acelerado
De desejo ávido,
de caminho vasto.
Que venera o instante
De olhar incessante,
de amor inconstante,
de voz inebriante.
Dotada de uma boca
provocante.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Epifania XIV

Marina Jenifer Sant'Borges

Aquele instante onde a possibilidade de sentir teu corpo novamente se fez presente...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Epifania XIII

por Marina Jenifer Sant'Borges


Se um dia essa singela beleza
que a juventude me dispõe acabar
O que serei eu vista pelo teu olhar?
Se essa diferença que me faz
interessante se extinguir
Onde seus sentimentos por mim vão estar?
Quando meu olhar não emitir
mais o mesmo doce mas perigoso brilho
Em que ruas vou te encontrar?
Sabe-se lá quem de nós ousará a falar...

Epifania XII

por Marina Jenifer Sant'Borges


Essa história de amor
a qual muitos anos nos roubou
nos tornou escravos um do outro
nos condicionou a este estado
Entre os nossos beijos
corria tanto desejo
mesclado de mágoas e desprezo
E entre seus tantos toques
julgamentos obsoletos
Eu sou assim,
é fácil de se enxergar no fim
Eu sou mais erro
do que acerto
E é pelos seus olhos que
agora me vejo.

Epifania XI

por Marina Jenifer Sant'Borges


Adoro ficar com você
Sinto coisas que a própria razão
nunca veio a conhecer
Seu olhar me tira a lucidez
desde que ti vi pela primeira vez
Imagino meus lábios nos teus
um céu de escuro azul, só você e eu
Teu cheiro embriaga-me de desejo
e do passageiro tempo até esqueço
Sem pensar no depois vivo o momento
desejando que as palavras entre nós ditas
Nunca se dispersem ao vento.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Epifania X

por Marina Jenifer Sant'Borges


O que somos nós? visto que ambos somos grotescamente adaptados as convenções.

Muitas faces constituem o que sou, previsíveis muitas vezes são fáceis de enganar.

Os equívocos são constantes e provocam inebriante perplexidade no intimo daqueles que se subjugaram tão tradutores de mim.

Sou inconstante, minhas emoções se misturam no meu amontoado coração, negam a submeterem se a razão.

Você que andou por varias ruas rumo a um destino não conhecido por mim.

Senhor de tantos acasos e dono de meu embaraço.

És o que não desconfio ser, tenho variadas visões que tecem sobre você.

Falam se demais de nós, eu que me desconcerto em tê lo por perto, que tento ter um olhar discreto.

Você que já não me olha para preservar meu controle que a muito não se via perdido por essas vontades que consumar não me permito.

Ás vezes quase interrompo a sanidade de meus sentidos, chegando próximo a você e seguindo meus instintos.

Em nossas despedidas, desejo eu que por instantes deixemos nos levar pela oportunidade provocante de
concretizar nossos desejos mais ocultos.

Epifania IX

por Marina Jenifer Sant'Borges


Mulher ou menina, que atormentou minhas noites e dias, que me fez sonhar quando não poderia, que me fez querer quando não mais queria e consumar um desejo que á muito em mim existia. Minha linda, de beleza mórbida que me seduz como nenhuma outra, me atrai com essa personalidade avassaladora. Ávido amor de uma esquecida rotina que abandonei após varias feridas e que renasceu com uma simples poesia. Foi seu doce veneno de escorpião solitário, que a ataraxia da minha vida aos poucos tomou. Me perdi no obscuro e sem fim dos olhos seus, e ao seu toque encontrei um novo eu.

Epifania VIII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Seu olhar, seu sorriso com um toque de um certo sadismo, suas perguntas desconcertantes e esse sotaque inebriante, que vontade me dá de morder você.

Epifania VII

por Marina Jenifer Sant'Borges

Como entender essa atração tão forte que devora nossa razão,
que interrompe um raciocínio, que nos faz paralisar com um só olhar?

Epifania VI

por Marina Jenifer Sant'Borges



Os variados simulacros que tenho de ti não me impedem de olhar e desejar experiências que ainda não senti, tais quais talvez possa me apresentar. Há vinte anos eu era apenas um incerto devir, e tua presença aqui já estava sentindo, sofrendo, caminhando rumo ao conhecimento.

Você que me perturba desde o primeiro instante, que salienta minhas emoções que são maquiadas pela rotina.

Você com esse ar nada convencional, essa poesia ainda não lapidada com que encena um pensamento que não é seu, mas que não seria melhor expressado.

Você que interpreta pensamentos sob linhas confusas de vários textos não percebe meu olhar mal intencionado porém romantizado pelo lado mais puro que há em mim.

Você que provoca minhas varias faces as quais procuravam libertar-se dessa tradição que existe antes de nós.

Você que instiga meus pensamentos envolvendo-os de desejos que pelas aparências não podem se revelar.

Você dono dessas mãos que atormentam minhas noites por não te-las a me tocar.

Você que quando fala, sua voz ataca meus sentidos, eu entro em delírio, imagino em meus ouvidos tua boca com um ar ofegante provocando meu libido.

Você que provoca na menina uma mulher escondida que ainda não se apaixonou, que adora o acaso, que consuma os atos e que terá você de fato.

Epifania V

por Marina Jenifer Sant'Borges


Ousaria eu a querer por horas ti ouvir e ficar atenta ao seus olhares que insinuam ter muito a contar. Reconheço que desperta em mim um estranho querer e com um toque de proibido abala todo o meu ser. Tuas palavras me devoram, provocam uma doce inquietação, despertam minha imaginação que através de seu simulacro idealizado sacio meus desejos chegando ao auge do prazer que talvez nunca tenha experimentado.
Aquela noite entre olhares, meias palavras trocadas fiquei na expectativa de talvez ter uma oportunidade de chegar próximo ao seus lábios. Em nossa despedida, banhada pela luz tímida de uma manhã de sábado, por um momento enquanto me concedia um beijo na face ousei a desejar que o tempo parasse para fazer-me prisioneira deste instante.

Epifania IV

por Marina Jenifer Sant'Borges


Mesmo aos olhos da moral cruel, ousaria eu a tocar-lhe os lábios com um furor inocente de uma vontade independente, ousaria eu a tocar-ti e por ti desejar ser tocada. Vendo-o tão longe com um ar informal a um mestre queria eu ter tua atenção para mim, e em um olhar que assume uma falsa aparência de desinteresse provocar em seu intimo uma doce confusão. Queria eu render-me aos desejos na noite de ontem...

Epifania III

por Marina Jenifer Sant'Borges


Não pensei que algum dia fosse retribuir os sentimentos que originado da admiração à muito alimentava por você. Não esperava que entre tantas pérolas você escolheria a mim, uma menina que já é mulher, solitária em meio a multidões, que nunca tem certeza do que quer. Que já sofreu e agora faz sofrer, que ama sem querer se prender, que venera o instante. Que tem medo mas age sem pensar, segue as paixões que fortes se colocam a frente, e proibidas excitam a mente. Tantos olhares se colocam na sua direção, uma platéia tão atenta para seus gestos, tuas falas e pensamentos, pensamentos que me instigam...
Seria eu a escolhida para inspirar tuas digressões?

Epifania II

por Karem Alencar

Mulheres e concepções 

Sete mulheres
sete desejos
sete imaginações
sete impossiveis realizações.

Sete mulheres 
sete pecados
sete canções
sete fortes corações.

Sete mulheres
sete uniões
sete brigas
sete sofridas separações.

Uma me acarinha...
outra me abraça...
uma me chama...
outra me ameaça.

Ela se despede
ela se entromete
ela se remete
ao amor que lhe merece.

Sete, sete, sete...

Sete pedaços do meu coração
sete pétalas nas minhas mãos 
sete anéis de reconciliação.

Hoje não são sete recordações
hoje não são as mulheres, as emoções
hoje não há mais nada
só as milhares de repetições.

Epifania I

por Marina Jenifer Sant'Ana Borges


Meus pensamentos recentes são incomuns, e fortes preenchem um vazio comum em mim. Desejo cometer pecados proibidos pela sociedade a qual pertenço. E não seguir um condicionamento que vem antes de eu existir. Quero contradizer quem eu sou, quem serei e quem já fui um dia. Quero preencher meus dias de funestas e singelas alegrias. Quero celebrar noites em função de meu prazer. Que hoje, não se sacia enquanto não estiver com você.