terça-feira, 26 de abril de 2011

Epifania VI

por Marina Jenifer Sant'Borges



Os variados simulacros que tenho de ti não me impedem de olhar e desejar experiências que ainda não senti, tais quais talvez possa me apresentar. Há vinte anos eu era apenas um incerto devir, e tua presença aqui já estava sentindo, sofrendo, caminhando rumo ao conhecimento.

Você que me perturba desde o primeiro instante, que salienta minhas emoções que são maquiadas pela rotina.

Você com esse ar nada convencional, essa poesia ainda não lapidada com que encena um pensamento que não é seu, mas que não seria melhor expressado.

Você que interpreta pensamentos sob linhas confusas de vários textos não percebe meu olhar mal intencionado porém romantizado pelo lado mais puro que há em mim.

Você que provoca minhas varias faces as quais procuravam libertar-se dessa tradição que existe antes de nós.

Você que instiga meus pensamentos envolvendo-os de desejos que pelas aparências não podem se revelar.

Você dono dessas mãos que atormentam minhas noites por não te-las a me tocar.

Você que quando fala, sua voz ataca meus sentidos, eu entro em delírio, imagino em meus ouvidos tua boca com um ar ofegante provocando meu libido.

Você que provoca na menina uma mulher escondida que ainda não se apaixonou, que adora o acaso, que consuma os atos e que terá você de fato.