"As metáforas são perigosas. Não se brinca com as metáforas. O amor pode nascer de uma simples metáfora."
Milan Kundera, A insustentável Leveza do Ser
Dedicado ao acaso ...
Enquanto eu lia, sentada naquele trêm, tentando fugir das leis que redigiam minha vida, você apareceu, talvez tenha se identificado pelo título do livro, ou tomou como um desafio tentar penetrar na barreira que eu criei para me defender das atrocidades que o gênero humano pode cometer, você que através de uma "Filosofia em Comum" iniciou uma conversa que aos olhos de muitos seria dispersa da realidade do senso comum. Quebrou pouco a pouco minha timidez, que arredia entrecortava as palavras e temia encará-lo, foi quando me disse que tinha amor pela sabedoria, quanta foi nossa surpresa ao descobrir que nossas vidas estavam á muito ligadas, e que as oportunidades nos dirigiram para nos conhecermos em um trêm, onde muitas faces se tornam abstratas, o todo se torna um, empacotados para a viagem. Os paralelos que fazíamos sobre uma insustentável leveza de um ser nos transformaram em Tereza e Tomaz, e tomados por uma atração psicológica iniciamos uma relação, não se fundiu a carne mas o intelecto fez-se um. Nossas possibilidades se reduzem á cada dia que passa e sempre é um espanto encontrá-lo onde menos espero, o acaso brinca, maroto faz o que bem quer de nossas vidas, foi por conhecer você que me rebelei ao futuro que escreveram por mim, pois o sábio procura o acaso, se entrega ao instante mesmo tomado pela razão. Hoje sou mulher do acaso, eu quero, abstraio e faço, vivo como Tales disperso em Mileto com guirlandas de flores sobre grilhões.
Fevereiro de 2010